sábado, 26 de abril de 2008

quinta-feira, 24 de abril de 2008

TESE DE GUERDJEF

A tese deste pensador chamado GUERDJEF, que no início do século passado já falava em auto conhecimento e da importância de saber viver bem. Dizia ele: “Uma boa vida tem como base o sentido do que queremos para nós em cada momento, e daquilo que realmente vale como principal”. No Instituto Francês de Ansiedade e Stress (Paris), foram colocadas em destaque, 20 regras de vida que Guerdjef traçou. Dizem os “experts” em comportamento que, quem já consegue assimilar 10 delas, com certeza aprendeu a viver com melhor qualidade interior.

1 - Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em você, converse com alguém e analise suas atitudes.
2 - Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.
3 - Planeje seu dia, sim, mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você.
4 - Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure.
5 - Pare de pensar, de uma vez por todas, que você é imprescindível. No trabalho, em casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, a não ser você mesmo.
6 - Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos. Você não é a fonte dos desejos, o eterno mestre de cerimônias.
7 - Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.
8 - Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.
9 - Tente descobrir o prazer de fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que isso é o máximo a se conseguir na vida.
10 - Evite se envolver na ansiedade e tensão alheias. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a ação.
11 - Família não é você, está junto de você, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.
12 - Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso, a trava do movimento e da busca.
13 - É preciso ter sempre alguém em que se possa confiar e falar abertamente ao menos num raio de 100 km Não adianta estar mais longe.
14 - Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância sutil de uma saída discreta.
15 - Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.
16 - Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é ótimo… para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.
17 - A rigidez é boa na pedra, não no ser humano. A ele cabe firmeza.
18 - Uma hora de intenso prazer substitui com folga 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de divertir-se.
19 - Não abandone suas três grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé.
20 - Entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: você é o que se fizer.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

A BUNDA, QUE ENGRAÇADA !


A BUNDA, QUE ENGRAÇADA

Carlos Drummond de Andrade


A bunda, que engraçada.

Está sempre sorrindo, nunca é trágica.


Não lhe importa o que vai

pela frente do corpo. A bunda basta-se.

Existe algo mais? Talvez os seios.

Ora — murmura a bunda — esses garotos

ainda lhes falta muito que estudar.


A bunda são duas luas gêmeas

em rotundo meneio. Anda por si

na cadência mimosa, no milagre

de ser duas em uma, plenamente.


A bunda se diverte

por conta própria. E ama.

Na cama agita-se. Montanhas

avolumam-se, descem. Ondas batendo

numa praia infinita.


Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz

na carícia de ser e balançar.

Esferas harmoniosas sobre o caos.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Transferência não tem idade!

Dona Eufrásia, 75 anos, procura a psicoterapia por indicação de sua nutricionista, pois, seu apetite reflete um comportamento ansioso. Mora com o marido e uma neta que chama de filha e que a explora financeiramente. Tem inúmeros problemas: artrite, artrose, hérnia de disco, hipertensão arterial, enxaqueca etc; no entanto, nada a impedia de comparecer as suas sessões regularmente. Depois de três meses de ausência, motivada por uma cirurgia vascular, Dona Eufrásia retorna às sessões de psicoterapia. Enquanto se dirigia para o consultório com passos lentos, apoiada pela atendente, ela sorria e seus olhos brilhavam. Fui ao seu encontro, lhe abracei e fomos caminhando juntos para minha sala de braços dados. Chegando lá ela me fala das saudades sentidas de suas sessões de terça-feira e exclama: "Eu não sei o que o senhor significa pra mim... Mas é como se fosse meu pai, meu filho, meu marido, uma mistura que não dá pra entender... Mas é bom demais estar aqui!". É isso aí: transferência é igual a AMOR, não tem idade.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Uma escritura da depressão

Recebi na semana passada uma carta de um jovem de dezesseis anos, em sua segunda sessão de psicoterapia; ao me entregar o papel, levantou-se e antes de sair afirmou: "É assim que eu me sinto todos os dias...Hoje não quero falar... Tchau!". Transcrevo abaixo seu texto, dividido em tópicos, parecendo uma relação de sintomas daqueles que se encontram em manuais de psicopatologia mas que sem dúvida revelam um estado de depressão, ainda que inicial, e ainda que ele seja adolescente, trata-se de uma escritura de depressão...
  • me sinto fraco, tenho falta de ar meus ouvidos tem o som longe, minha visão é escura.
  • Tenho uma sensação de morte, sem ânimo para nada, não tenho alegria, não vejo graça em nada.
  • não tenho concentração, sinto meu corpo leve, me sinto meio Aéreo, não tenho sensibilidade a qualquer tipo de luz.
  • tenho o pensamento de que nada que eu faço ou vá fazer, vale a pena por exemplo: estudar, eu acordo e não tenho vontade de se levantar da cama, não sinto vontade de sair de casa, não me preocupo em fazer O Básico como escovar os dentes.
  • é como se o mundo tivesse parado para mim, como se eu estivesse fora do mundo, sinto medo e dúvida sobre todas essas coisas.
  • chego a pensar que estou ficando louco por sentir tudo isso, mas ainda penso e, vejo que ainda não perdi o controle da mente.

sexta-feira, 14 de março de 2008

ZÉ LIMEIRA - O Poeta do Absurdo

MOTE: Os anos não voltam mais!
GLOSA:
O velho Tomé de Souza,
Governador da Bahia,
Casou-se, e no mesmo dia
Passou a pica na esposa.
Ele fez como a raposa,
Comeu na frente e atrás,
Depois indo até o cais
Onde os navio trafega,
Enrabou o Padre Nóbrega.
Os anos não voltam mais!

domingo, 9 de março de 2008

PAULO LEMINSK


Bem no Fundo


No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto


a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo


extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.