Ainda sobre as eleições desse ano, a pergunta que não para de ser feita por aquelas pessoas mais sensíveis e avessas a violência é: como alguém pode votar - e até exaltar como "salvador da pátria" - em um candidato que afirma defender a tortura, a ditadura militar e ser fã declarado de um dos maiores torturadores e estupradores do antigo regime ditatorial o famigerado Brilhante Ustra? E o que é mais grave, com o apoio quase que maciço dos cristãos brasileiros (católicos e evangélicos), que deveriam estar horrorizados com as falas e atitudes desse candidato, já que ferem diretamente os preceitos evangélicos de tolerância e não violência pregados por Jesus.
A resposta parecia ser muito complexa, só parecia, mas basta lembrar de uma coisa só e tudo se esclarece: estamos no Brasil - a terra das contradições que não se contradizem. Como já falou um antigo cantor, compositor e cronista por tabela, o grande Tim Maia, o nosso país é o único lugar do mundo em que traficante se vicia em drogas, prostituta se apaixona, cafetão tem ciúmes e pobre é de direita. Logo, cristão apoiar tiete de torturador é muito normal, aliás, os cristãos brasileiros customizaram a Bíblia para atender seus anseios de tal forma que institucionalizou-se um vale-tudo muito louco, a começar pelos seus pastores e líderes em sua maioria ladrões, estelionatários e golpistas, que apregoam uma moral que estão longe de cumprir.
Pensei inicialmente que o povo apoiava o Bolsonaro e sua plataforma neo-fascista por medo de mais um governo desastrado do PT, acho que isso até conta para uma minoria, mas para a maioria dos eleitores dele eu vejo é identificação mesmo com sua pseudo-moralidade cristã: "Deus acima de todos e o Brasil acima de tudo", um slogan burro e oportunista para seduzir oportunistas burros. O discurso de ódio aos gays, aos direitos humanos, à emancipação feminina e às políticas públicas assistencialistas caíram como uma luva na mão de seus apoiadores, que sim, são tão preconceituosos, racistas e misóginos quanto ele - infelizmente a maioria da população pensa dessa forma.
Já ouvi apoiadores dele afirmar que votam porque ele é honesto e contra a corrupção: onde já se viu um sujeito que usa verba de gabinete para sustentar funcionário fantasma e usa o auxílio-moradia tendo casa própria ser honesto? Isso vale também para o famoso juiz da operação lava-jato Sérgio Moro, que posa de bom moço quando na realidade faz o mesmo, tão safado, corrupto e amoral quanto aqueles que julgou e mandou prender. Logo, deduzimos que não é por causa da honestidade que se vota nele, assim como não é pela idoneidade do juiz que se apoia a lava-jato, outros fatores devem existir para justificar tal fato.
O psicanalista italiano radicado no Brasil Contardo Calligaris, em seu livro "Hello, Brasil" cujo subtítulo é bem esclarecedor, "Psicanálise da estranha civilização brasileira", nos adverte para a tresloucada confusão entre o Pai que interdita (a ordem, a Lei, a verdadeira função paterna) e o Pai que não só autoriza mas até facilita o acesso ao gozo que deveria ser proibido, que permeia nossa relação com a coisa pública e com o nosso semelhante. Vivemos no império da não-lei, ou melhor, no império do "Jeitinho", logo, vale tudo: bandidos santarrões de direita e de esquerda com a graça de Deus, que aliás é brasileiro (apesar de ateu eu não tenho dúvida disso).
A palavra chave para os que não são devotos assumidos de algum candidato tomar partido nessa disputa entre o PT da "corrupção" e o fascista Bolsonaro é "Denegação"; deve-se acima de tudo não ver os defeitos de seu candidato ou partido, deve-se não escutar seus discursos cheios de ódio ou sua cara-de-pau ao afirmar que antes vivíamos num paraíso, deve-se idiotizar à direita ou à esquerda e então votar no dia 28 esquecendo-se que, ganhe quem ganhar quem perde é o Brasil. Mas é disso que o povo gosta.
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
ELEIÇÕES 2018
Pois é, não podia ter sido diferente o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais - deu Bolsonaro com ampla vantagem sobre o segundo colocado. Algumas surpresas, ao menos para mim, como ver Marina Silva (que teve mais ou menos 20 milhões de votos na eleição passada) ser superada pelo aloprado Cabo Daciolo e sua pregação neo pentecostal, e Ciro Gomes mesmo afastado dos holofotes de Brasília desbancar nomes consagrados no sudeste como Geraldo Alckmin, que aliás, foi a grande decepção dessa eleição, talvez a pá de cal que faltava para selar o sepultamento do PSDB.No âmbito geral o candidato Jair Bolsonaro foi o grande vencedor, seu partido nanico cresceu como nunca visto, elegeu candidatos desconhecidos para a câmara federal, estadual, senado e até para os governos estaduais, mostrando que apoiar o discurso "linha dura" do capitão tiete de torturador foi a senha para levar à Brasília uma massa de deputados que não teriam muita coisa em comum senão a vinculação ao discurso "autoritário" do líder: de apresentadores de TV a ator de filmes pornô tem de tudo nesse verdadeiro balaio de gato.
É um fenômeno mesmo. A disputa ficou bem polarizada nesse segundo turno, e é aí que a porca torce o rabo: como escolher entre um discurso mais à direita de um candidato aloprado, inexperiente e não muito dado a atividades intelectuais de um lado, e, o discurso anacrônico da esquerda desmoralizada por inúmeros escândalos de corrupção e aliada ao que de pior existe na política internacional (Venezuela, Cuba, Bolívia)?
Eu já fiz minha escolha: vou ficar em casa.
domingo, 9 de setembro de 2018
Bolsonaro 2
Ainda refletindo sobre o atentado ao candidato Jair Bolsonaro. Hoje vi umas fotos do candidato fazendo o gesto com as mãos que imitam revólveres... Pensei: esse Bolsonaro é muito louco mesmo, pois, será que ele não percebeu que se o agressor estivesse com um revólver o desfecho poderia ter sido muito mais grave? Acho que não né.
Devemos tirar ensinamentos de todos os acontecimentos em nossa vida, tudo que nos acontece trás possibilidades de reflexões, e, pensei que para o candidato líder das pesquisas, uma dessas lições ou aprendizados pudesse se referir à sua posição sobre o porte de armas.
Mas, um ponto positivo que o tresloucado agressor esquerdista não previu é que o atentado favoreceu a candidatura dele; se o partido for esperto vai colher os frutos. Os adversários não se sentirão confortáveis batendo num homem ferido, a mídia aumentou a visibilidade dele, e, a famosa identificação com o sofredor, com o mais fraco vão alavancar de vez Bolsonaro à presidência da República.
Não era meu candidato mas vai acabar sendo meu presidente. Desejo-lhe melhoras e que faça um bom governo,
Devemos tirar ensinamentos de todos os acontecimentos em nossa vida, tudo que nos acontece trás possibilidades de reflexões, e, pensei que para o candidato líder das pesquisas, uma dessas lições ou aprendizados pudesse se referir à sua posição sobre o porte de armas.
Mas, um ponto positivo que o tresloucado agressor esquerdista não previu é que o atentado favoreceu a candidatura dele; se o partido for esperto vai colher os frutos. Os adversários não se sentirão confortáveis batendo num homem ferido, a mídia aumentou a visibilidade dele, e, a famosa identificação com o sofredor, com o mais fraco vão alavancar de vez Bolsonaro à presidência da República.
Não era meu candidato mas vai acabar sendo meu presidente. Desejo-lhe melhoras e que faça um bom governo,
sexta-feira, 7 de setembro de 2018
Bolsonaro esfaqueado
Não voto nele, não comungo com noventa por cento de suas ideias mas jamais lhe desejei mal algum, ainda mais dessa forma, um atentado covarde e vil; fiquei estarrecido ao saber do fato, em um grupo de WhatsApp,
Antes que queiram diagnosticar o agressor como "louco", que ele não é, podemos apenas afirmar com alto grau de certeza que ele defende uma ideologia de esquerda, violenta e intolerante como reza a cartilha de seus camaradas russos e cubanos. Só um esquerdista fanático atacaria aquele que representa o que há de pior na direita brasileira, o "mito", o mais novo salvador da pátria e líder em todas as pesquisas de intenção de votos.
E antes de querer responsabilizar a vítima, dizer que Bolsonaro é culpado, pois ele incita o comportamento violento, defende torturadores etc, é a mesma coisa que responsabilizar uma jovem por ter sido estuprada por não estar vestida da forma "correta". Bolsonaro foi vítima de um sujeito desequilibrado mas consciente o suficiente para ser responsabilizado pelo ocorrido.
E antes de querer responsabilizar a vítima, dizer que Bolsonaro é culpado, pois ele incita o comportamento violento, defende torturadores etc, é a mesma coisa que responsabilizar uma jovem por ter sido estuprada por não estar vestida da forma "correta". Bolsonaro foi vítima de um sujeito desequilibrado mas consciente o suficiente para ser responsabilizado pelo ocorrido.
quinta-feira, 19 de julho de 2018
Reflexões Abusadas sobre o país da piada pronta
1. Como não poderia ser diferente, a seleção brasileira de futebol foi eliminada do mundial. Observe que não digo: "O Brasil perdeu a copa". O Brasil vive perdendo desde a chegada dos portugueses em 1500 até os dias de hoje; e, em qualquer ranking sério, sabemos de antemão que vamos ocupar as últimas colocações, tais como em educação básica, respeito às leis, saúde pública, ensino superior etc. Somos sim campeões em malandragem, na vida cotidiana, na política e também no futebol, de Nilton Santos a Neymar. Só que isso não nos ajuda em nada e malandramente vamos cavando mais fundo nosso buraco.
2. Na música vivemos um verdadeiro momento apocalíptico: gostaria de saber quais foram os idiotas que fizeram parte da comissão julgadora que elegeu o tal do "funk" das favelas cariocas como representante da música brasileira e um tétrico travesti como melhor cantor do ano passado!! Aquilo não é música, é o mau-gosto do mau-gosto, dá ânsia de vômitos ouvir o tal travesti horroroso esgoelar-se para proferir um monte de merda, literalmente cagando pela boca, e ter ainda algum idiota - crítico musical, não a juventude que curte esse som, pois a maioria da juventude gosta de merda mesmo e é até normal que gostem - a chamar aquilo de música. E os tais "MC's", analfabetos funcionais a repetir refrãos ofensivos e burros? O que dizer? Só nos resta lamentar e perguntar como fez Rita Lee a uns trinta anos passados: "O que foi que aconteceu com a música popular brasileira?"; se a rainha do rock nacional achou que não podia ficar pior quebrou a cara, ficou muito pior. Funk de favela, sertanejo universitário, rap e hip hop nacionais são realmente a prova de que a maioria do povo brasileiro gosta mesmo é de bosta. Saudades da Bossa Nova, do rock brasileiro dos anos 80/90, da boa música regional nordestina, do samba e do chorinho... Somos bons nisso.
2. Na música vivemos um verdadeiro momento apocalíptico: gostaria de saber quais foram os idiotas que fizeram parte da comissão julgadora que elegeu o tal do "funk" das favelas cariocas como representante da música brasileira e um tétrico travesti como melhor cantor do ano passado!! Aquilo não é música, é o mau-gosto do mau-gosto, dá ânsia de vômitos ouvir o tal travesti horroroso esgoelar-se para proferir um monte de merda, literalmente cagando pela boca, e ter ainda algum idiota - crítico musical, não a juventude que curte esse som, pois a maioria da juventude gosta de merda mesmo e é até normal que gostem - a chamar aquilo de música. E os tais "MC's", analfabetos funcionais a repetir refrãos ofensivos e burros? O que dizer? Só nos resta lamentar e perguntar como fez Rita Lee a uns trinta anos passados: "O que foi que aconteceu com a música popular brasileira?"; se a rainha do rock nacional achou que não podia ficar pior quebrou a cara, ficou muito pior. Funk de favela, sertanejo universitário, rap e hip hop nacionais são realmente a prova de que a maioria do povo brasileiro gosta mesmo é de bosta. Saudades da Bossa Nova, do rock brasileiro dos anos 80/90, da boa música regional nordestina, do samba e do chorinho... Somos bons nisso.
sábado, 23 de junho de 2018
Sobre a Copa do Mundo de Futebol e Conselhos para Neymar
Minha análise sobre a campanha da seleção brasileira nesse mundial não é muito diferente daquilo que pensei na copa passada aqui no Brasil. O componente emocional parece o mesmo: uma espécie de desespero, de afobação que certamente tem contribuído para o desempenho tímido nos últimos dois jogos, um empate no primeiro jogo contra a Suíça e uma vitória nos acréscimos contra a Costa Rica.
Nervosismo demais e futebol de menos. Em 2014 era chororô, dramaticidade e malandragem até o vexame contra a Alemanha. Em 2018 também em apenas dois jogos. O craque do time começou o mundial mais preocupado em mostrar a exuberante cabeleira loira e cavar faltas que jogar o seu futebol de qualidade que sempre apresentou nos clubes em que joga; aliás, se Neymar fizesse análise seria o melhor do mundo, pois seu rival mais próximo na categoria parece estar perdendo o juízo também. E, ele sabe lidar muito bem com a bola nos pés, mas é um fracasso quando se trata de inteligência emocional.
Assim como Messi, Neymar não tem jogado bem, mesmo tendo feito um gol no último jogo; entretanto, ao ver o todo da última partida - em que esteve bem melhor que na primeira - ele continua insistindo no esquema de cair para cavar faltas, é o velho Neymar cai-cai, desonesto e malandro de quinta categoria, coisa que não era comum nos craques do passado, não víamos Pelé, Zico, Falcão, Romário e os dois Ronaldos preocupados com isso. E é bom lembrar que os jogadores brasileiros não são os melhores exemplos de ética na quatro linhas.
E mais, o craque do time além de jogar quer apitar o jogo... Isso é o fim da picada. Com toda certeza os problemas psicológicos do nosso principal jogador pode contaminar o resto da equipe, além de prejudica-la é claro, pois, já levou um cartão amarelo e pode desfalcar a equipe sim, e aí? Teremos um outro 7 a 1?
O maior problema ao meu ver é a forma como a CBF (e parte da imprensa) encara o mundial, ou seja, como sendo algo mais que uma simples competição de futebol, até parece que o mundo será diferente se ganharmos o título, e todos estamos carecas de saber que isso não muda nada, como não mudou em 58, 62, 70, 94 e 2002. Nada muda com o título de campeão, a não ser o uso sociopolítico que se faz desse evento pelos vários governos das mais variadas cores. Então, parece ser a "cultura" que se criou em volta do evento futebol, transformado ao longo dos tempos em fenômeno internacional de consumo, que transforma a vida de inúmeras pessoas, a começar com a vida dos próprios jogadores que sonham desde a escolinha de futebol com a fama, riqueza e sucesso de seus ídolos.
Conselho para Neymar (Cristiano já aprendeu), saia da menoridade e assuma a maioridade... pare de agir como se fosse um adolescente e assuma seu lugar de homem adulto! Não é conselho só pra nosso craque, é pro time inteiro, pra toda comissão técnica, pra mim e pra todo mundo.
Nervosismo demais e futebol de menos. Em 2014 era chororô, dramaticidade e malandragem até o vexame contra a Alemanha. Em 2018 também em apenas dois jogos. O craque do time começou o mundial mais preocupado em mostrar a exuberante cabeleira loira e cavar faltas que jogar o seu futebol de qualidade que sempre apresentou nos clubes em que joga; aliás, se Neymar fizesse análise seria o melhor do mundo, pois seu rival mais próximo na categoria parece estar perdendo o juízo também. E, ele sabe lidar muito bem com a bola nos pés, mas é um fracasso quando se trata de inteligência emocional.
Assim como Messi, Neymar não tem jogado bem, mesmo tendo feito um gol no último jogo; entretanto, ao ver o todo da última partida - em que esteve bem melhor que na primeira - ele continua insistindo no esquema de cair para cavar faltas, é o velho Neymar cai-cai, desonesto e malandro de quinta categoria, coisa que não era comum nos craques do passado, não víamos Pelé, Zico, Falcão, Romário e os dois Ronaldos preocupados com isso. E é bom lembrar que os jogadores brasileiros não são os melhores exemplos de ética na quatro linhas.
E mais, o craque do time além de jogar quer apitar o jogo... Isso é o fim da picada. Com toda certeza os problemas psicológicos do nosso principal jogador pode contaminar o resto da equipe, além de prejudica-la é claro, pois, já levou um cartão amarelo e pode desfalcar a equipe sim, e aí? Teremos um outro 7 a 1?
O maior problema ao meu ver é a forma como a CBF (e parte da imprensa) encara o mundial, ou seja, como sendo algo mais que uma simples competição de futebol, até parece que o mundo será diferente se ganharmos o título, e todos estamos carecas de saber que isso não muda nada, como não mudou em 58, 62, 70, 94 e 2002. Nada muda com o título de campeão, a não ser o uso sociopolítico que se faz desse evento pelos vários governos das mais variadas cores. Então, parece ser a "cultura" que se criou em volta do evento futebol, transformado ao longo dos tempos em fenômeno internacional de consumo, que transforma a vida de inúmeras pessoas, a começar com a vida dos próprios jogadores que sonham desde a escolinha de futebol com a fama, riqueza e sucesso de seus ídolos.
Conselho para Neymar (Cristiano já aprendeu), saia da menoridade e assuma a maioridade... pare de agir como se fosse um adolescente e assuma seu lugar de homem adulto! Não é conselho só pra nosso craque, é pro time inteiro, pra toda comissão técnica, pra mim e pra todo mundo.
domingo, 20 de maio de 2018
Assinar:
Postagens (Atom)
