quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Mensagens do dia dos pais

Recebi ao longo dos anos vários cartões de "dia dos pais", a final de contas tenho cinco filhos. Eu também ás vezes me espanto, mas, eu acabei aprendendo a lidar com isso, não sei se foi da melhor maneira. Mas, uma das melhores coisas da paternidade é o reconhecimento, ser reconhecido por eles/elas como seu Pai. Não importa a biologia, pois o ser pai é "apenas" um lugar a ser ocupado, mas que lugar tão cheio de responsabilidades não?.
Quem quiser que diga que o dia dos pais é apenas uma criação comercial para vender gravatas, a data ultrapassou em milhas o objetivo inicial e acabou fazendo parte do psiquismo das pessoas - aliás, nunca deixou de fazer, nem na cabeça dos publicitários - ao trazer à consciência o culto ao pai, resquícios de um passado mais remoto.

Tem coisa melhor que receber cartão do dia dos pais, claro que tem; mas, é um prazer "danado" receber tais cartões, com letras tortas e ficando mais aprumadas ao passar dos anos; sinal de que seus filhos estão crescendo e isso é muito bom. É a certeza de que eles estão sobrevivendo, sentimento imerso no mais puro Darwinismo, nossa história animal que sempre aparece para incomodar.

Mas é muito bom receber cartão dos "dia dos pais", pois pai rala pra ca@#io. É bom saber que o danadinho se importa com você, mesmo sendo a mãe a fazer essa parte no início, mas até isso é bom principalmente para o filho. Mas quando eles aprendem a escrever e nos mandam aquelas mensagens fruto de seu desejo, aí o bicho pega! Não tem pai que resista, pois aquelas criaturas complexas que a gente ama tanto, num dia criado pelo comércio nos diz que nos ama, coisa que a gente não costuma ouvir o resto do ano, por mais amorosos que sejam nossos filhos.

Por isso e outras coisas mais, amo tanto esses cartões. Trás tantas recordações boas, para quem tem filhos já crescidos isso é um retorno garantido aos tempos passados, pode-se reviver momentos maravilhosos, você e ele/ela em outra época, com direito a "romantização" da memória.


Acredito que não é exagero dizer que a jogada comercial de marketing fez um bem danado à humanidade. A função Paterna na concepção psicanalítica agradece o apoio, pois, se o pai enquanto representante da lei merece respeito, nada demonstra melhor tal respeito como o reconhecimento de seu valor. Valor fálico, de um poder fálico que necessita de honras para se manter de pé, com trocadilho e tudo.

Antonio Lucas, Ademar Neto, Cícero Neto, Tiago Lima e Jerusa Lima, são os meus filhos. Fico feliz por ter sido pai dessa turma, fruto de meu amor pela mãe de cada um deles, foram três mulheres que me presentearam com essas pessoas lindas que são meus filhos. Escrevo isso para que um dia vocês possam ler e ver como vocês me fizeram bem. Fiquei um homem melhor depois que vocês nasceram, e, amo muito cada momento que passamos juntos.



 
E nos cartões tem sempre um recado, desejo deles: pare de fumar, pare de beber, pare de trabalhar tanto, pare de fazer tanta coisa, principalmente coisas que nos afastam, e que os fazem sentir menos vontade de se identificar com o Pai. Nós somos modelos, mesmo sem saber ou querer, então é bom saber que estamos no caminho certo; os cartões mostram isso.


É ISSO AÍ. FELIZ DIAS DOS PAIS PARA TODOS NÓS............

sábado, 3 de junho de 2017

sexta-feira, 28 de abril de 2017

UMA FARSA CHAMADA "GREVE GERAL"

Quando Freud definiu as bases da Psicanálise (uma "Psicologia Profunda" que destacava o papel de forças inconscientes em ação no psiquismo) ele usou como exemplo de organização dessas forças o mecanismo psíquico dos sonhos. Dizia ele que os sonhos possuem um sentido que para ser descoberto bastaria encontrar o "conteúdo latente" que estava encoberto pelo "conteúdo manifesto" (o sonho em si lembrado pelo sonhador), pois, os mecanismos de condensação e deslocamento faziam com que o real sentido do sonho ficasse embaralhado, como um rebus, nas imagens do conteúdo manifesto.
Essa "greve geral", entre aspas mesmo, já que não é greve e nem é geral pode ser melhor compreendida a partir de suas semelhanças com a interpretação dos sonhos tal qual ensinava o mestre vienense. Há um conteúdo manifesto: a luta pelo direito dos trabalhadores, contra a reforma trabalhista e contra a reforma da previdência; e um conteúdo latente que foi se revelando a cada passo da organização desse movimento, que como sabemos, foi organizado por sindicatos aliados ao PT e a outros partidos de esquerda, que como num sonho (ou pesadelo) ao ser interpretado revelou seu real sentido, que seria em última instância defender direitos trabalhistas num clima democrático e coerente.

Pode existir greve forçada? Explico: rodoviários de São Paulo contam que foram ameaçados por homens armados nas garagens e terminais rodoviários para não saírem sob pena de levar bala. Mais: barricadas com pneus em chamas foram colocadas em locais estratégicos para evitar que os trabalhadores que não usam o transporte público chegassem ao seu local de trabalho; ônibus obstruindo vias e pontes com o mesmo objetivo; intimidação àqueles que queriam trabalhar nos aeroportos, nos trens e metrôs; e, o vandalismo (ônibus e telefones públicos incendiados e a dilapidação de patrimônio público e privado), a agressão e o desrespeito a liberdade daqueles que não comungam com a crença dos donos da verdade, a esquerda caviar (segundo Constantino) dos socialistas "nutella"(segundo Pondé).
O conteúdo latente foi ficando mais explícito quando vimos os cartazes e palavras de ordem (com erros de português) dos manifestantes: "Fora Temer", "Abaixo o Golpe", "Não à prisão de Lula", "Vamos parar o Brasil", "Reforma Não, Revolução", "Diretas Já" (também achei estranho). E fica ainda mais claro quando lemos os textos postados nas redes sociais pelos defensores do movimento, entre eles encontram-se juízes, professores, sindicalistas, estudantes, artistas e outros profissionais liberais de nossa elite mimada, mas faltou a fala do operário, da comerciária, dos pequenos empreendedores, enfim, do grosso da população brasileira que mostrou que se não foi trabalhar hoje foi porque não conseguiu chegar ao local de trabalho, impedido por aqueles que querem mesmo parar o Brasil.
O "sonho" da greve geral vai tomando um sentido diferente de seu conteúdo manifesto e desmascarando o real objetivo do grupo: defender seus próprios interesses, principalmente o medo de perder a boquinha financeira da "contribuição sindical" e se vingar do impedimento sofrido pela desastrada presidente Dilma Rousseff. Isso fica mais visível quando sabemos que os sindicatos permaneceram quietos durante os governos do PT diante dos roubos e escândalos bilionários que levaram o país a essa situação atual.
Acredito que o sonho, com ares de pesadelo, tenha sido interpretado e que você leitor o tenha compreendido. Infelizmente, os verdadeiros movimentos democráticos, conservadores ou liberais não possuem ainda uma organização para fazer frente a essa insanidade de viés "religioso" (crença sem questionamento) promovida por pessoas que pouco usam sua capacidade de raciocinar e são tomadas por um furor emocional e oportunista, e que pensam que baderna, roubo, agressão e confusão são as verdadeiras marcas dos movimentos sociais revolucionários - eu sou tentado a acreditar que são isso mesmo. Fico a imaginar se eles teriam coragem de fazer isso durante a ditadura militar brasileira ou uma ditadura socialista como a cubana. Claro que não, só o fazem porque vivemos num Estado de Direito, situação essa que a maioria deles abomina. Freud estava certo: o sonho é a realização de um desejo e o desejo desse pessoal é mesmo parar o Brasil. Não vão conseguir, hoje eles literalmente deram um tiro no pé, pois, o Brasil não parou, o povo não aderiu à greve, e o máximo que conseguiram foi criar um longo feriado.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

O desafio da Baleia Azul

O "jogo" suicida da baleia azul vem ocupando nas últimas semanas lugar privilegiado na mídia graças ao crescente número de jovens (adolescentes principalmente) que tem aderido ao mesmo, e em alguns casos, com final desastroso. Mas, o que é isso? Porque jovens se submetem a um jogo marcado pelo sofrimento, dor e morte? O que os leva a participar dessa idiotice sadomasoquista?
Os psicólogos sabem desde muito tempo que o período da adolescência é marcado normalmente por uma vivência patológica e muitas vezes psicopática decorrente dos lutos vividos nesse período (luto pelo corpo perdido, pelos pais da infância perdidos, pelas certezas perdidas, pela incerteza e crise de identidade, entre outros); ou seja, muitas perdas para dar conta, o que pode gerar ou agravar comportamentos que chamamos hoje de "depressivos". Para lidar com esses lutos o jovem recorre a algumas estratégias como forma de defesa, e a ligação aos grupos de pares é uma delas; pertencer a um grupo e ser aceito por ele é uma forma de se sentir menos deslocado num mundo de adultos que geralmente não compreendem o que está acontecendo realmente dentro de suas cabeças, e muitas vezes o grupo em que se é aceito tem características nitidamente destrutivas.
Quem não já viu os grupos de "patricinhas e mauricinhos de shopping", skatistas, rockeiros, regueiros, nerds, grupos de igrejas, games maníacos, funkeiros e esportistas? Grupos pacíficos que conferem identidades pelo menos momentânea. E também vale lembrar grupos não pacíficos, agressivos mesmos (sádicos) como os "carecas do ABC", hollingans, skin heads e radicais islâmicos. Pois bem, estamos diante do mesmo fenômeno, com a diferença de que esse grupo "desafio da baleia azul" é suicida e por isso mesmo encontra acolhida na mente dos jovens melancólicos que veem nele aquilo que faltava para criar coragem de tirar a própria vida, porque agora o suicídio é grupal - os membros do grupo trocam informações sobre seu processo das 50 tarefas.
Esse é o real perigo de tal grupo, pois, suicídio entre jovens sempre existiu e o Brasil ocupa a oitava posição no ranking de suicídios entre os países sem precisar da "baleia azul". Mas será que dá para evitar que seu filho seja fisgado por esse grupo? A resposta é sim, pois, até o jovem chegar a cometer o suicídio ele deve cumprir 50 etapas ou tarefas, e eu não quero afirmar, mas vou, que a família dos jovens que chegaram a quinquagésima etapa foram no mínimo negligentes. O jogo não é nada sutil, cada tarefa envolve mutilação ou comportamento estranho, e como a família não percebeu isso? Por isso afirmo sem sombra de dúvida que um jovem que consegue manter um diálogo aberto com sua família (seja só a mãe ou só o pai, uma avó ou tia, ou uma prima, cunhada) não chegará nem a terceira tarefa.

Vejamos as tais tarefas, fiz um "pacote" para não ter que transcrever as cinquenta, mas vocês podem conseguir o conteúdo na internet:
1. Assistir filmes de terror só na madrugada. Será que não dá pra saber se os filhos estão dormindo bem ou não sem ir ao quarto deles na madrugada? No dia seguinte estarão sonolentos com toda certeza. Vocês tem conversado sobre horários?
2. Fazer cortes no braço. Depois desenhar a baleia. Fazer furos nas mãos, o máximo que conseguir. Faça-se sofrer, fique doente, se machuque é a ordem dada. E aí famílias, vocês estão mesmo vendo esse jovem, conversando com eles? Creio que não.
3. Ouvir determinadas músicas escolhidas pelo tutor chamado de "curador" (significativo não?). É significativo um sujeito se intitular curador (o que cuida dos interesses da pessoa no sentido jurídico; e aquele que cura no jargão popular) quando seu objetivo é levar o outro à morte, como se esse fosse seu real desejo, pois a Psicologia nos ensina que o suicida não quer morrer, QUER ACABAR COM O SOFRIMENTO DESSA COISA SEM NOME. O curador nem representa o sujeito e nem cura.
4. Subir em telhados, antenas, qualquer coisa alta e perigosa, se pendurar e mandar fotos para o curador. Será que ninguém vê isso?
5. Procurar outra baleia. Isso já caracteriza um grupo organizado, com espiões, mensagens secretas, encontros secretos com outros membros que compartilham fotos pelas redes sociais; tudo que acontece num grupo em termos de interação.
6. Todos os dias o jovem deve acordar as 4:20h e fazer um corte no corpo e ficar um dia inteiro sem falar com ninguém. Se o pai ou mãe ou cuidador não vê esse comportamento, e se vê não acha estranho, então não sei o que vocês estão fazendo. Como você fica um dia inteiro sem falar com alguém que mora com você na mesma casa?
7. O curador vai avisar o dia de sua morte.
Pelo que foi exposto dá pra evitar que nossos jovens embarquem nessa barca furada, basta que tenhamos real interesse em seu bem estar, e nem precisa estar colado nele o dia todo e todo dia, basta haver interesse, amor se preferirem, e certamente a baleia azul continuará a ser apenas o maior mamífero da terra.

quarta-feira, 29 de março de 2017

O QUE É DOGMA?

Parece absurdo, mas a crença em absurdos é uma das especialidades dos seres humanos. Existem estudos que apontam para a existência de um "supersentido" interno que nos predispõe à crença no sobrenatural, e isso desde os primórdios de nossa história evolutiva. A crença nos deuses, fantasmas, espíritos, magia, poder dos astros, adivinhações, poder da palavra ou do pensamento para criar realidades, anjos, demônios e tantas outras espécies de crendices são prova cabal dessa nossa capacidade cerebral de crer, e que faz questão de nadar contra a corrente das evidências.
Os dogmas são a confirmação de que a melhor maneira de não se questionar a falta de sentido de determinada crença, é evitar a discussão ou pesquisa a seu respeito. É como se não bastasse ao absurdo ou irracionalidade da crença se contentar com apenas o simples enunciado da mesma, não, ela tem que ser proibida de ser questionada ou mesmo discutida.

Outra característica dos dogmas é sua filiação à instituições religiosas, e o cristianismo - mesmo não sendo o único - é pródigo em cria-los. Desde a afirmação do dogma da "Trindade" no começo da virada institucional do cristianismo primitivo e seus inúmeros concílios que combatiam as chamadas "Heresias" (Nestorianismo, Arianismo e Gnosticismo principalmente), os dogmas foram fazendo parte indissociável daquela que se transformaria mais tarde na igreja Católica romana, instituição mais poderosa da Idade Média e verdadeira fábrica de dogmas.
É sobre um dos dogmas da igreja romana que quero contar um caso ocorrido em sala de aula. A virgindade perpétua de Maria e a imaculada concepção quando mencionados por aluno levou ao riso boa parte da classe e deixou constrangidas duas alunas que suponho católicas. Para nós, céticos não existe lógica para a sustentação de tais dogmas, e nesse caso, até mesmo o relato bíblico do Novo Testamento (Marcos 6:3; Mateus 13:55) depõe contra o dogma católico ao descrever Maria como uma mulher normal que teve vários filhos. Isso prova que não basta ter um "livro sagrado" para assegurar uma determinada crença, por si só já bastante inverossímil (engravidar de um Deus) mas o dogma que é criado para tornar o fantástico mais fantástico ainda.
Dei para os alunos minha versão da criação de um dogma: Se por exemplo um concílio decidisse que Jesus morreu enforcado em vez de crucificado, todo o debate seria em torno do significado da palavra "cruz", e certamente os defensores da tese do enforcamento concluiriam que onde se lê cruz deve-se entender forca, pois esse é o sentido original que o autor bíblico quis dar à palavra. Pronto, criou-se um dogma.

Pare de procrastinar agora mesmo

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Vida de Professor

Nestes trinta anos como professor pensei já ter visto de tudo que fosse humanamente possível em sala de aula, mas ledo engano, hoje o inusitado aconteceu e a "mágica pantomima americana" de pedidos de casamento tão comum nos filmes, aconteceu em plena sala de aula, e justo no momento em que eu falava de Freud e sua descoberta das motivações inconscientes das ações humanas.
O rapaz entrou na sala com um ramalhete de rosas vermelhas dando um susto tremendo em sua namorada que se levantou sobressaltada, ele a abraçou, ela chorou ao receber as rosas, e de repente eles afasta as carteiras estudantis se ajoelha no chão como na foto acima e tasca de supetão a famosa frase: "Quer casar comigo?". A moça não consegue nem falar e acena com a cabeça que sim. Fim da cena. A piada era essa, não vou comentar.