quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

PÁSSARO AZUL - CHARLES BUCOWSKI

há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí,
quer acabar comigo?
(…) há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo: sei que você está aí,
então não fique triste.
depois, o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
como nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar,
mas eu não choro,
e você?


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Steven Tyler & Nuno Bettencourt "More than words" - The 2014 Nobel Peac...



TRADUÇÃO:

MAIS QUE PALAVRAS

Dizer eu te amo

Não são as palavras que eu quero ouvir de você
Não é que eu não queira
Que você diga, mas se ao menos você soubesse
Como poderia ser fácil me mostrar o que você sente
Mais do que palavras é tudo que você tem que fazer para tornar real
Então, você não precisaria dizer que me ama
Pois eu já saberia


O que você faria se meu coração fosse partido em dois?
Mais do que palavras para mostrar o que você sente
Que seu amor por mim é real
O que você diria se eu jogasse essas palavras fora?
Depois você não poderia tornar as coisas novas
Só dizendo eu te amo


La di da, la di da
Mais do que palavras
La di da, la di da


Agora que tentei conversar com você e te fazer entender
Tudo o que você tem que fazer é fechar os olhos e estender as mãos
Para me tocar, me abraçar, não me deixar partir jamais
Mais do que palavras é tudo que você tem que mostrar
Então, você não precisaria dizer que me ama
Pois eu já saberia

domingo, 1 de janeiro de 2017

SUPERSTIÇÃO PARA O ANO NOVO

Estava vendo na TV os conselhos dados pelas mais diversas pseudociências para que as pessoas obtenham sucesso, amor e riquezas em 2017. Às vezes eu fico me perguntando se as pessoas que acreditam nessas baboseiras (astrologia, numerologia, jogo de búzios, cartomancia) realmente acreditam ou fingem que acreditam. Quanta superstição, quantos rituais, "simpatias", comidas especiais, roupas na coloração daquilo que se deseja, rezas e orações.
Isso tudo são tentativas mágicas, que livram as pessoas do pesado fardo de assumir o próprio desejo e trabalhar para que o mesmo se realize. Que o mundo espiritual se encarregue de me arranjar um amor (ou só sexo mesmo); um emprego ou a multiplicação de meus rendimentos; e, claro, me dê muita saúde. Esses (amor, dinheiro e saúde) são os mais pedidos nas diversas "simpatias" para o "ano novo", como se o "ano novo" fosse um lugar mágico onde os desejos se realizam e tudo vai mudar para melhor na vida da pessoa, e o melhor, sem fazer força nenhuma, basta se vestir de amarelo ou branco, pular sete ondas e comer sementes de romã.
Os que creem nisso se esquecem do básico: não existe o "ano novo", existe apenas o dia de hoje, o agora. Enquanto o sujeito espera a "magia do ano novo" ele não se abre aos encontros amorosos, não procura emprego e nem cuida da saúde. Enquanto espera, sua lista de realizações vai ficando pra trás, e mesmo com tantas listas não cumpridas ao longo dos anos o sujeito ainda não compreendeu que não existe mágica: ou você age ou não haverá mudança.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Retrospectiva 2016

Essa é uma retrospectiva pessoal. Como foi meu ano de 2016? Foi um ano bom, com momentos de tensão e chateação, mas, com mais momentos felizes.
Apesar da crise nas áreas políticas e econômicas pelas quais o país passou, o ano transcorreu tranquilo, continuei trabalhando normalmente, tomando cerveja e fumando, passeando com os filhos e namorando minha parceira.
Acontecimentos marcantes: Resolvi colocar implantes dentários, foi um sufoco, quase sete horas de cirurgia, um pós cirúrgico desconfortável, sem poder comer sólidos, um horror, mas o resultado ficou bom. Mas não faria de novo.
Dois tios morreram em Caruaru, ambos já com a idade bem avançada, Tio Tota e tia Del R.I.P.
Viagens: Em janeiro fui para São Miguel dos Milagres, no camping com amigos; fomos (pai, mãe e a namorada) para Tamandaré, visitar a turma de Caruaru que estava passando férias; no fim do mês fomos ao Recife.
Em fevereiro fomos à Caruaru acompanhar o sepultamento de tio Tota. No dia 18 de maio fomos para Belo Horizonte, no dia 20 visitamos Ouro Preto e Mariana. No mês de julho fomos para um hotel fazenda em União dos Palmares e de lá para o show do Biquíni Cavadão em Garanhuns. Fui com meus pais para Caruaru no feriado de 7 de setembro. E a última viagem do ano foi para Peroba, litoral norte do estado, município de Maragogi; de lá fomos almoçar em São José da Coroa Grande.
Ah, e descobri essa praia maravilhosa de Sauaçui (meu filho mais velho costuma acampar lá e me deu a dica), o seu rio igualmente, aonde tirei essa foto que aparece acima com o filho caçula.
Que venha 2017!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Hipnose: a pobreza das evidências

Os Planos de Deus

Se tem uma coisa que todo místico concorda, seja ele de qualquer corrente espiritualista, é o chamado "mistério do plano de Deus", ou seja, eles não sabem e nem fazem a menor ideia sobre as vontades de seu deus, apesar de alguns místicos (padres, pastores, mulás etc.) afirmarem receber mensagens diretas do reino espiritual.
Na última semana o país ficou atônito com a tragédia aérea que vitimou mais de setenta pessoas, entre elas a comissão técnica e o time da Chapecoense, revelação da copa sul-americana. Diante da morte, e ainda mais de mortes trágicas e coletivas, e mais ainda quando há sobreviventes - um deles só sofrera pequenas escoriações - as tentativas de explicação segundo o "plano de Deus" mostram sem disfarce sua fragilidade, sua incoerência é desnudada. Qual seria o plano de deus para os mortos no acidente e para os sobreviventes? Certamente não seria o mesmo plano.
E quando um sobrevivente exclama: "Deus me deu uma nova chance!", mas não se pergunta o porquê de deus não ter dado a mesma "nova chance" para os colegas mortos, mesmo que não se saiba muito bem o poderia significar essa "nova chance". E é aí que vem a frase famosa, quando não se consegue ver o obvio da inexistência de qualquer plano de natureza divina, e o crente suspira: "São os mistérios dos planos de Deus". Pronto, está tudo explicado.
Não é de hoje que a humanidade busca explicar o inexplicável a partir de concepções sobrenaturais, religiosas e mágicas; é como se nosso cérebro necessitasse disso, tudo deve ser explicado, mesmo que a explicação seja completamente improvável, mas ainda assim satisfaz algumas mentes. Mas essa tentativa de explicação teológica esbarra em um ponto intransponível, que surge nas grandes catástrofes como o "11 de setembro" e o furacão Katrina nos Estados Unidos, e como a morte de jogadores, comissão técnica, jornalistas e tripulantes em Medelín na Colômbia. Não dá pra entender ou mesmo explicar os "Planos de Deus".
Os crentes mais honestos dirão que não entendem os planos de deus e pronto. Os mais zelosos vão tentar justificar os atos de deus em relação aos mortos e sobreviventes e vão inundar os meios de comunicação com grande quantidade de "pérolas", como essa proferida por Anne Graham em entrevista na TV sobre o porquê de ter acontecido os atentados em 11 de setembro:
'Eu creio que Deus ficou profundamente triste com o que aconteceu, tanto quanto nós. Por muitos anos temos dito para Deus não interferir em nossas escolhas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas.  Sendo um cavalheiro como Deus é, eu creio que Ele calmamente nos deixou. Como poderemos esperar que Deus nos dê a sua benção e a sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco?' 
E essa outra grande inverdade proferida pelo padre cantor Fábio de Melo ao se referir aos familiares dos mortos na Colômbia: "A dor da família hoje é de todos!". Só que não né padre, isso nada mais é que a tentativa (falsa, claro) piegas de "se colocar no lugar do outro", mesmo sabendo que não dá. Nunca a sua "dor" se comparará àquela de quem perdeu um parente, um filho, um marido, um amigo; até porque duvido realmente da existência dessa dor.
Precisa dizer mais alguma coisa?