segunda-feira, 11 de julho de 2016
terça-feira, 28 de junho de 2016
quinta-feira, 5 de maio de 2016
O cara de pau
Hoje cedo, por ordem do STF foi afastado da presidência câmara dos deputados, e com bastante atraso, o rei da cara de pau: o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Cunha chama a atenção pela frieza com que responde às inúmeras acusações que recebe, e não vacila diante das provas, é o tipo de sujeito que ao ser pego em flagrante, com as calças na mão, responde friamente: isso que você está vendo não corresponde a verdade.
No dia da votação do acatamento do processo de impedimento da presidente da República, mesmo sendo atacado com os piores adjetivos sua expressão nem mudava, era como se não fosse com ele. Representante da bancada evangélica, ele que é membro da igreja Sara Nossa Terra, especializou-se em mentir, talvez tenha a ver com seguir o exemplo de seus pastores da Sara, ou de seus amigos pastores como o famoso estelionatário Silas Malafaia. Certa vez ouvi uma piada que dizia que no inferno só tinha crentes, padres católicos por seus pecados sexuais e pastores evangélicos por causa de roubo e mentira, Cunha vem nos brindar com sua cara de pau e deve causar preocupação no inferno, já que será difícil para o diabo manter seu título de pai da mentira.
Resta-nos torcer para que esse bandido vá se juntar aos outros, e torcer também para que o povo aprenda a escolher melhor seus representantes.
No dia da votação do acatamento do processo de impedimento da presidente da República, mesmo sendo atacado com os piores adjetivos sua expressão nem mudava, era como se não fosse com ele. Representante da bancada evangélica, ele que é membro da igreja Sara Nossa Terra, especializou-se em mentir, talvez tenha a ver com seguir o exemplo de seus pastores da Sara, ou de seus amigos pastores como o famoso estelionatário Silas Malafaia. Certa vez ouvi uma piada que dizia que no inferno só tinha crentes, padres católicos por seus pecados sexuais e pastores evangélicos por causa de roubo e mentira, Cunha vem nos brindar com sua cara de pau e deve causar preocupação no inferno, já que será difícil para o diabo manter seu título de pai da mentira.
Resta-nos torcer para que esse bandido vá se juntar aos outros, e torcer também para que o povo aprenda a escolher melhor seus representantes.
quarta-feira, 20 de abril de 2016
A Cara do Brasil
Brasilia viveu mais um dia de circo no domingo passado durante a votação para a abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma. Sempre precedidos de um argumento idiota e totalmente pessoal, tal como "por minha família, por meus filhos, pela minha mãe, pelo raio que o parta", os quase 513 deputados (as) iniciavam seus dez minutos de histrionismo.
O que aprendemos no domingo? Primeiro, que mais da metade dos parlamentares são semianalfabetos, a língua portuguesa nunca foi tão agredida quanto no domingo a tarde. Em segundo lugar, a completa falta de discussão política, de argumentação, de defesa de pontos e princípios seja à direita ou à esquerda foi a marca do dia.
Então, como se não bastasse a baixaria e a feiura do evento, aparece o deputado Jair Bolsonaro - da chamada bancada da bala - a fazer homenagem póstuma a um coronel torturador do DOI-CODI falecido ano passado, mostrando mais uma vez ao país sua índole malévola; em seguida o deputado "gaysista" de reality show em mais um de seus momentos "bicha-louca" cospe o fascista Bolsonaro; e, completando o dantesco quadro, aparece um deputado do ridículo e anacrônico PSOL a homenagear outra leva de bandidos, agora da esquerda como Marighella e Prestes.
O mais chocante foi ver isso: bandidos votando para punir bandidos. Lula, Dilma, Bolsonaro, Cunha e tantos outros daquela casa são semelhantes em quase tudo, apenas se situam politicamente em polos ou cores opostas.De um ex-presidente bêbado, pornográfico e ladrão; de uma presidente incompetente, criminosa e corrupta, de um militar psicopata que cultua torturadores e de um demagogo evangélico (pleonasmo!?) comedor de propinas o que se pode esperar? Apenas que todos eles paguem por seus crimes. Fora Corruptos de todas as cores e bandeiras.
O que aprendemos no domingo? Primeiro, que mais da metade dos parlamentares são semianalfabetos, a língua portuguesa nunca foi tão agredida quanto no domingo a tarde. Em segundo lugar, a completa falta de discussão política, de argumentação, de defesa de pontos e princípios seja à direita ou à esquerda foi a marca do dia.
Então, como se não bastasse a baixaria e a feiura do evento, aparece o deputado Jair Bolsonaro - da chamada bancada da bala - a fazer homenagem póstuma a um coronel torturador do DOI-CODI falecido ano passado, mostrando mais uma vez ao país sua índole malévola; em seguida o deputado "gaysista" de reality show em mais um de seus momentos "bicha-louca" cospe o fascista Bolsonaro; e, completando o dantesco quadro, aparece um deputado do ridículo e anacrônico PSOL a homenagear outra leva de bandidos, agora da esquerda como Marighella e Prestes.
O mais chocante foi ver isso: bandidos votando para punir bandidos. Lula, Dilma, Bolsonaro, Cunha e tantos outros daquela casa são semelhantes em quase tudo, apenas se situam politicamente em polos ou cores opostas.De um ex-presidente bêbado, pornográfico e ladrão; de uma presidente incompetente, criminosa e corrupta, de um militar psicopata que cultua torturadores e de um demagogo evangélico (pleonasmo!?) comedor de propinas o que se pode esperar? Apenas que todos eles paguem por seus crimes. Fora Corruptos de todas as cores e bandeiras.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Carta aberta ao Brasil - Mark Manson
Querido Brasil,
O Carnaval acabou. O “ano novo” finalmente vai começar e eu estou te deixando para voltar para o meu país.
Assim como vários outros gringos, eu também vim para cá pela primeira vez em busca de festas, lindas praias e garotas. O que eu não poderia imaginar é que eu passaria a maior parte dos 4 últimos anos dentro das suas fronteiras. Aprenderia muito sobre a sua cultura, sua língua, seus costumes e que, no final deste ano, eu me casaria com uma de suas garotas.
Não é segredo para ninguém que você está passando por alguns problemas. Existe uma crise política, econômica, problemas constantes em relação à segurança, uma enorme desigualdade social e agora, com uma possível epidemia do Zika vírus, uma crise ainda maior na saúde.
Durante esse tempo em que estive aqui, eu conheci muitos brasileiros que me perguntavam: “Por que? Por que o Brasil é tão ferrado? Por que os países na Europa e América do Norte são prósperos e seguros enquanto o Brasil continua nesses altos e baixos entre crises década sim, década não?”
No passado, eu tinha muitas teorias sobre o sistema de governo, sobre o colonialismo, políticas econômicas, etc. Mas recentemente eu cheguei a uma conclusão. Muita gente provavelmente vai achar essa minha conclusão meio ofensiva, mas depois de trocar várias ideias com alguns dos meus amigos, eles me encorajaram a dividir o que eu acho com todos os outros brasileiros.
Então aí vai: é você.
Você é o problema.
Sim, você mesmo que está lendo esse texto. Você é parte do problema. Eu tenho certeza de que não é proposital, mas você não só é parte, como está perpetuando o problema todos os dias.
Não é só culpa da Dilma ou do PT. Não é só culpa dos bancos, da iniciativa privada, do escândalo da Petrobras, do aumento do dólar ou da desvalorização do Real.
O problema é a cultura. São as crenças e a mentalidade que fazem parte da fundação do país e são responsáveis pela forma com que os brasileiros escolhem viver as suas vidas e construir uma sociedade.
O problema é tudo aquilo que você e todo mundo a sua volta decidiu aceitar como parte de “ser brasileiro” mesmo que isso não esteja certo.
Quer um exemplo?
Imagine que você está de carona no carro de um amigo tarde da noite. Vocês passam por uma rua escura e totalmente vazia. O papo está bom e ele não está prestando muita atenção quando, de repente, ele arranca o retrovisor de um carro super caro. Antes que alguém veja, ele acelera e vai embora.
No dia seguinte, você ouve um colega de trabalho que você mal conhece dizendo que deixou o carro estacionado na rua na noite anterior e ele amanheceu sem o retrovisor. Pela descrição, você descobre que é o mesmo carro que seu brother bateu “sem querer”. O que você faz?
A) Fica quieto e finge que não sabe de nada para proteger seu amigo? Ou
B) Diz para o cara que sente muito e força o seu amigo a assumir a responsabilidade pelo erro?
B) Diz para o cara que sente muito e força o seu amigo a assumir a responsabilidade pelo erro?
Eu acredito que a maioria dos brasileiros escolheria a alternativa A. Eu também acredito que a maioria dos gringos escolheria a alternativa B.
Nos países mais desenvolvidos o senso de justiça e responsabilidade é mais importante do que qualquer indivíduo. Há uma consciência social onde o todo é mais importante do que o bem-estar de um só. E por ser um dos principais pilares de uma sociedade que funciona, ignorar isso é uma forma de egoísmo.
Eu percebo que vocês brasileiros são solidários, se sacrificam e fazem de tudo por suas famílias e amigos mais próximos e, por isso, não se consideram egoístas.
Mas, infelizmente, eu também acredito que grande parte dos brasileiros seja extremamente egoísta, já que priorizar a família e os amigos mais próximos em detrimento de outros membros da sociedade é uma forma de egoísmo.
Sabe todos aqueles políticos, empresários, policiais e sindicalistas corruptos? Você já parou para pensar por que eles são corruptos? Eu garanto que quase todos eles justificam suas mentiras e falcatruas dizendo: “Eu faço isso pela minha família”. Eles querem dar uma vida melhor para seus parentes, querem que seus filhos estudem em escolas melhores e querem viver com mais segurança.
É curioso ver que quando um brasileiro prejudica outro cidadão para beneficiar sua famílias, ele se acha altruísta. Ele não percebe que altruísmo é abrir mão dos próprios interesses para beneficiar um estranho se for para o bem da sociedade como um todo.
Além disso, seu povo também é muito vaidoso, Brasil. Eu fiquei surpreso quando descobri que dizer que alguém é vaidoso por aqui não é considerado um insulto como é nos Estados Unidos. Esta é uma outra característica particular da sua cultura.
Algumas semanas atrás, eu e minha noiva viajamos para um famoso vilarejo no nordeste. Chegando lá, as praias não eram bonitas como imaginávamos e ainda estavam sujas. Um dos pontos turísticos mais famosos era uma pedra que de perto não tinha nada demais. Foi decepcionante.
Quando contamos para as pessoas sobre a nossa percepção, algumas delas imediatamente disseram: “Ah, pelo menos você pode ver e tirar algumas fotos nos pontos turísticos, né?”
Parece uma frase inocente, mas ela ilustra bem essa questão da vaidade: as pessoas por aqui estão muito mais preocupadas com as aparências do que com quem eles realmente são.
É claro que aqui não é o único lugar no mundo onde isso acontece, mas é muito mais comum do que em qualquer outro país onde eu já estive.
Isso explica porque os brasileiros ricos não se importam em pagar três vezes mais por uma roupa de grife ou uma jóia do que deveriam, ou contratam empregadas e babás para fazerem um trabalho que poderia ser feito por eles. É uma forma de se sentirem especiais e parecerem mais ricos. Também é por isso que brasileiros pagam tudo parcelado. Porque eles querem sentir e mostrar que eles podem ter aquela super TV mesmo quando, na realidade, eles não tenham dinheiro para pagar. No fim das contas, esse é o motivo pelo qual um brasileiro que nasceu pobre e sem oportunidades está disposto a matar por causa de uma motocicleta ou sequestrar alguém por algumas centenas de Reais. Eles também querem parecer bem sucedidos, mesmo que não contribuam com a sociedade para merecer isso.
Muitos gringos acham os brasileiros preguiçosos. Eu não concordo. Pelo contrário, os brasileiros tem mais energia do que muita gente em outros lugares do mundo (vide: Carnaval).
O problema é que muitos focam grande parte da sua energia em vaidade em vez de produtividade. A sensação que se tem é que é mais importante parecer popular ou glamouroso do que fazer algo relevante que traga isso como consequência. É mais importante parecer bem sucedido do que ser bem sucedido de fato.
Vaidade não traz felicidade. Vaidade é uma versão “photoshopada” da felicidade. Parece legal vista de fora, mas não é real e definitivamente não dura muito.
Se você precisa pagar por algo muito mais caro do que deveria custar para se sentir especial, então você não é especial. Se você precisa da aprovação de outras pessoas para se sentir importante, então você não é importante. Se você precisa mentir, puxar o tapete ou trair alguém para se sentir bem sucedido, então você não é bem sucedido. Pode acreditar, os atalhos não funcionam aqui.
E sabe o que é pior? Essa vaidade faz com que seu povo evite bater de frente com os outros. Todo mundo quer ser legal com todo mundo e acaba ou ferrando o outro pelas costas, ou indiretamente só para não gerar confronto.
Por aqui, se alguém está 1h atrasado, todo mundo fica esperando essa pessoa chegar para sair. Se alguém decide ir embora e não esperar, é visto como cuzão. Se alguém na família é irresponsável e fica cheio de dívidas, é meio que esperado que outros membros da família com mais dinheiro ajudem a pessoa a se recuperar. Se alguém num grupo de amigos não quer fazer uma coisa específica, é esperado que todo mundo mude os planos para não deixar esse amigo chateado. Se em uma viagem em grupo alguém decide fazer algo sozinho, este é considerado egoísta.
É sempre mais fácil não confrontar e ser boa praça. Só que onde não existe confronto, não existe progresso.
Como um gringo que geralmente não liga a mínima sobre o que as pessoas pensam de mim, eu acho muito difícil não enxergar tudo isso como uma forma de desrespeito e auto-sabotagem. Em diversas circunstâncias eu acabo assistindo os brasileiros recompensarem as “vítimas” e punirem àqueles que são independentes e bem resolvidos.
Por um lado, quando você recompensa uma pessoa que falhou ou está fazendo algo errado, você está dando a ela um incentivo para nunca precisar melhorar. Na verdade, você faz com que ela fique sempre contando com a boa vontade de alguém em vez de ensina-la a ser responsável.
Por outro lado, quando você pune alguém por ser bem resolvido, você desencoraja pessoas talentosas que poderiam criar o progresso e a inovação que esse país tanto precisa. Você impede que o país saia dessa merda que está e cria ainda mais espaço para líderes medíocres e manipuladores se prolongarem no poder.
E assim, você cria uma sociedade que acredita que o único jeito de se dar bem é traindo, mentindo, sendo corrupto, ou nos piores casos, tirando a vida do outro.
As vezes, a melhor coisa que você pode fazer por um amigo que está sempre atrasado é ir embora sem ele. Isso vai fazer com que ele aprenda a gerenciar o próprio tempo e respeitar o tempo dos outros.
Outras vezes, a melhor coisa que você pode fazer com alguém que gastou mais do que devia e se enfiou em dívidas é deixar que ele fique desesperado por um tempo. Esse é o único jeito que fará com que ele aprenda a ser mais responsável com dinheiro no futuro.
Eu não quero parecer o gringo que sabe tudo, até porque eu não sei. E deus bem sabe o quanto o meu país também está na merda (eu já escrevi aqui sobre o que eu acho dos EUA).
Só que em breve, Brasil, você será parte da minha vida para sempre. Você será parte da minha família. Você será meu amigo. Você será metade do meu filho quando eu tiver um.
E é por isso que eu sinto que preciso dividir isso com você de forma aberta, honesta, com o amor que só um amigo pode falar francamente com outro, mesmo quando sabemos que o que temos a dizer vai doer.
E também porque eu tenho uma má notícia: não vai melhorar tão cedo.
Talvez você já saiba disso, mas se não sabe, eu vou ser aquele que vai te dizer: as coisas não vão melhorar nessa década.
O seu governo não vai conseguir pagar todas as dívidas que ele fez a não ser que mude toda a sua constituição. Os grandes negócios do país pegaram dinheiro demais emprestado quando o dólar estava baixo, lá em 2008-2010 e agora não vão conseguir pagar já que as dívidas dobraram de tamanho. Muitos vão falir por causa disso nos próximos anos e isso vai piorar a crise.
O preço das commodities estão extremamente baixos e não apresentam nenhum sinal de aumento num futuro próximo, isso significa menos dinheiro entrando no país. Sua população não é do tipo que poupa e sim, que se endivida. As taxas de desemprego estão aumentando, assim como os impostos que estrangulam a produtividade da classe trabalhadora.
Você está ferrado. Você pode tirar a Dilma de lá, ou todo o PT. Pode (e deveria) refazer a constituição, mas não vai adiantar. Os erros já foram cometidos anos atrás e agora você vai ter que viver com isso por um tempo.
Se prepare para, no mínimo, 5-10 anos de oportunidades perdidas. Se você é um jovem brasileiro, muito do que você cresceu esperando que fosse conquistar, não vai mais estar disponível. Se você é um adulto nos seus 30 ou 40, os melhores anos da economia já fazem parte do seu passado. Se você tem mais de 50, bem, você já viu esse filme antes, não viu?
É a mesma velha história, só muda a década. A democracia não resolveu o problema. Uma moeda forte não resolveu o problema. Tirar milhares de pessoa da pobreza não resolveu o problema. O problema persiste. E persiste porque ele está na mentalidade das pessoas.
O “jeitinho brasileiro” precisa morrer. Essa vaidade, essa mania de dizer que o Brasil sempre foi assim e não tem mais jeito também precisa morrer. E a única forma de acabar com tudo isso é se cada brasileiro decidir matar isso dentro de si mesmo.
Ao contrario de outras revoluções externas que fazem parte da sua história, essa revolução precisa ser interna. Ela precisa ser resultado de uma vontade que invade o seu coração e sua alma.
Você precisa escolher ver as coisas de um jeito novo. Você precisa definir novos padrões e expectativas para você e para os outros. Você precisa exigir que seu tempo seja respeitado. Você deve esperar das pessoas que te cercam que elas sejam responsabilizadas pelas suas ações. Você precisa priorizar uma sociedade forte e segura acima de todo e qualquer interesse pessoal ou da sua família e amigos. Você precisa deixar que cada um lide com os seus próprios problemas, assim como você não deve esperar que ninguém seja obrigado a lidar com os seus.
Essas são escolhas que precisam ser feitas diariamente. Até que essa revolução interna aconteça, eu temo que seu destino seja repetir os mesmos erros por muitas outras gerações que estão por vir.
Você tem uma alegria que é rara e especial, Brasil. Foi isso que me atraiu em você muitos anos atrás e que me faz sempre voltar. Eu só espero que um dia essa alegria tenha a sociedade que merece.
Seu amigo,
Mark
Traduzido por Fernanda Neute
sábado, 16 de janeiro de 2016
O Mecânico e sua Esposa Piriguete - Marquês de Caralhau
Nunca houve na terra casal que brigasse mais que esses dois: Ivan, um mecânico alcoólatra de meia idade e sua esposa Marina, piriguete na faixa dos trinta anos. Por qualquer motivo eles discutiam mais acaloradamente, e, vez em quando saíam na tapa mesmo.
Eles residiam num pequeno cômodo localizado no primeiro andar do mesmo prédio em que ficava sua oficina mecânica de automóveis. Sempre que podia, e isso ocorria com frequência, a gostosa descia para olhar o movimento da oficina e se exibir um pouco, afinal de contas, como boa piriguete ela se alimentava dos olhares de desejo masculino que colhia naquele ambiente de cheiro forte de gasolina e óleo e graxa. Esse era um dos motivos para as constantes brigas.
Ela se vestia de maneira provocante: as saias e shorts sempre estavam muito acima da linha do Equador, e as camisas e blusas sempre bem decotadas, deixando boa parte dos enormes peitos à mostra. Os clientes mais atrevidos não perdiam a oportunidade de "cantar" a sedutora Marina nos descuidos do marido, ou quando ele desaparecia embaixo de algum carro. E ela dava esperanças a todos mas ainda não havia se envolvido com nenhum deles, tivera, é verdade, um ou dois casos sem importância, mas nunca com clientes da oficina.
No final do dia Ivan ia beber com os colegas numa birosca que ficava quase em frente da oficina e ao chegar a casa a briga era certa. Marina o acusava de falta de atenção e ameaçava por um par de chifres nele, como se já não tivesse feito isso, gritava para todo mundo ouvir: "Não me quer? Pois saiba que tem quem me queira viu... Você ainda vai me pagar seu cachaceiro de merda". Estava armada a confusão.
Quando viu o Vieira (cliente contumaz) e seu velho fusca na oficina, ela resolveu cumprir o prometido nas ameaças feitas a Ivan; insinuou-se da forma mais explícita possível aproveitando uma saída do marido e o Vieira não teve como resistir àqueles apelos de luxúria e depravação carnal, tanto que no dia seguinte estavam se comendo num motel barato de um bairro distante. Já no primeiro encontro ela fez de tudo: oral, anal e vaginal. O objetivo estava claro, causar uma boa impressão e se fazer mais e mais desejada pelo atordoado Vieira.
Eles saíram muitas vezes ainda antes do fim; os ciumes e o desejo de Marina de largar o marido e passar a morar com Vieira precipitaram o rompimento. Por mais gostosa e boa de cama que fosse, ele era crente na teoria do "se ela fez com ele vai fazer comigo". Ele deixou claro que não queria compromisso e ela fez um escândalo no motel, disse que iria se matar (a passionalidade é muito comum nesse tipo de mulher) e ele seria o culpado pela sua morte. Essa foi a última vez que se viram, e Vieira, que agora levava seu velho fusca para ser afinado em outro lugar, veio a saber que a tentativa de suicídio de Marina não passara de dois arranhões nos pulsos provocados por uma faca cega, providencialmente procurada para esse fim.
Marina continuou casada e continuou a brigar com Ivan quase que diariamente, que a cada vez que bebia a chamava de puta e a mandava fugir com seu amante; e ela aguardava ansiosa a chegada desse dia, que seu príncipe encantado surgisse com um carro quebrado e a levasse dali para bem longe.
Eles residiam num pequeno cômodo localizado no primeiro andar do mesmo prédio em que ficava sua oficina mecânica de automóveis. Sempre que podia, e isso ocorria com frequência, a gostosa descia para olhar o movimento da oficina e se exibir um pouco, afinal de contas, como boa piriguete ela se alimentava dos olhares de desejo masculino que colhia naquele ambiente de cheiro forte de gasolina e óleo e graxa. Esse era um dos motivos para as constantes brigas. Ela se vestia de maneira provocante: as saias e shorts sempre estavam muito acima da linha do Equador, e as camisas e blusas sempre bem decotadas, deixando boa parte dos enormes peitos à mostra. Os clientes mais atrevidos não perdiam a oportunidade de "cantar" a sedutora Marina nos descuidos do marido, ou quando ele desaparecia embaixo de algum carro. E ela dava esperanças a todos mas ainda não havia se envolvido com nenhum deles, tivera, é verdade, um ou dois casos sem importância, mas nunca com clientes da oficina.
No final do dia Ivan ia beber com os colegas numa birosca que ficava quase em frente da oficina e ao chegar a casa a briga era certa. Marina o acusava de falta de atenção e ameaçava por um par de chifres nele, como se já não tivesse feito isso, gritava para todo mundo ouvir: "Não me quer? Pois saiba que tem quem me queira viu... Você ainda vai me pagar seu cachaceiro de merda". Estava armada a confusão.
Quando viu o Vieira (cliente contumaz) e seu velho fusca na oficina, ela resolveu cumprir o prometido nas ameaças feitas a Ivan; insinuou-se da forma mais explícita possível aproveitando uma saída do marido e o Vieira não teve como resistir àqueles apelos de luxúria e depravação carnal, tanto que no dia seguinte estavam se comendo num motel barato de um bairro distante. Já no primeiro encontro ela fez de tudo: oral, anal e vaginal. O objetivo estava claro, causar uma boa impressão e se fazer mais e mais desejada pelo atordoado Vieira.
Eles saíram muitas vezes ainda antes do fim; os ciumes e o desejo de Marina de largar o marido e passar a morar com Vieira precipitaram o rompimento. Por mais gostosa e boa de cama que fosse, ele era crente na teoria do "se ela fez com ele vai fazer comigo". Ele deixou claro que não queria compromisso e ela fez um escândalo no motel, disse que iria se matar (a passionalidade é muito comum nesse tipo de mulher) e ele seria o culpado pela sua morte. Essa foi a última vez que se viram, e Vieira, que agora levava seu velho fusca para ser afinado em outro lugar, veio a saber que a tentativa de suicídio de Marina não passara de dois arranhões nos pulsos provocados por uma faca cega, providencialmente procurada para esse fim.
Marina continuou casada e continuou a brigar com Ivan quase que diariamente, que a cada vez que bebia a chamava de puta e a mandava fugir com seu amante; e ela aguardava ansiosa a chegada desse dia, que seu príncipe encantado surgisse com um carro quebrado e a levasse dali para bem longe.
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Como lidar com pessoas que te deixam louco
É o título do livro que estou acabando de ler, escrito pelo psicólogo Paul Hauck que ensina como sobreviver a chefes tiranos, amantes egoístas e colegas difíceis. Parece-se com qualquer livro de autoajuda de bolso que você vê por aí, mas, felizmente essa impressão termina após a capa.O autor, membro da Associação Americana de Psicologia, tem uma abordagem própria para lidar com os problemas emocionais e os transtornos de comportamento, uma mistura de Terapia Cognitivo-Comportamental com mais pitadas de Behaviorismo skinneriano. Sua premissa básica:
"NINGUÉM PODE ABALÁ-LO EMOCIONALMENTE A NÃO SER QUE VOCÊ PERMITA. (...) VOCÊ, A PESSOA QUE ESTÁ DEPRIMIDA, ZANGADA OU COM MEDO, É O MAIOR CAUSADOR DE SEUS PRÓPRIOS SENTIMENTOS NEURÓTICOS".
Um aspecto muito interessante de sua teoria, que irá resultar naquilo que ele chamou de Psicologia do Respeito, são os três princípios de interação humana:
1. Nós ensinamos as pessoas a fazerem o que fazem conosco; logo, recebemos aqueles comportamentos que toleramos.
2. Os outros não vão mudar até que nós mudemos o nosso comportamento.
3. Com pessoas difíceis reduza a tolerância que tem em excesso.
O livro está repleto de boas sacadas e insights que poderão ajudar as pessoas a pelo menos refletir sobre seus próprios comportamentos diante dos "fazedores de loucos", ou até quem sabe se perceber como um. Uma boa leitura!
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