segunda-feira, 17 de maio de 2010

MULHER AO ESPELHO!

Ao ler o poema "Mulher ao espelho" de Cecília Meireles, lembrei-me de uma frase dita por uma paciente após relatar que quando jovem chamava a atenção dos homens (de todas as idades), e hoje, " ... Na rua, eles me olham de costas e devem me achar interessante ainda, mas quando me ultrapassam e vão conferir a frente viram logo a cara, pois veem que estou velha (sic)". Ela ri e acrescenta: "não me sinto velha, às vezes até me sinto como uma adolescente, querendo paquerar e me vejo sendo paquerada por uns garotões da idade de meu filho ... mas é só na imaginação ... antes eu era desejada, agora eu sou despejada!".
Ser despejada alude a ação em que alguém é destituído de sua casa por força da lei, é ser obrigado a desocupar uma casa, para que um outro a ocupe. Tal como a "jovem" e bela mulher que é expulsa de seu corpo-casa pela metamorfose do tempo, que a ocupa com uma nova e indesejada moradora, aquela que não aparece no espelho e só transparece no olhar dos homens que não querem olhá-la.
Simone de Beauvoir já dizia que só quem percebe que nós envelhecemos são outros, em nossa mente (pensamento e imaginação) a mudança é percebida muito lentamente, e, estamos sempre um passo atrás daquilo que o espelho reflete.
Cecília sabia disso:
"Já fui loura, já fui morena/ Já fui Margarida e Beatriz/ Já fui Maria e Madalena/ Só não pude ser como quis.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Movimento Estudantil em Alagoas - 1

Estou tentando reconstituir a história do movimento estudantil alagoano a partir de fatos e fotos que meus companheiros de militância me fornecem. Na foto ao lado, vemos alguns militantes do PCdoB da célula "Helenira Rezende" do curso de Psicologia (da esquerda para direita): Roque, Mário Marola, Nilo Borba, uma aluna da UFAL , Eliane e outro aluno da UFAL.
Nessa época, vendíamos o jornal Tribuna Operária pelas ruas de Maceió, tentando conscientizar o proletariado de sua opressão nos anos finais da ditadura militar. Vendíamos o "Jornal" em favelas, portas de fábricas e praças. Nossa célula foi a vencedora em um "concurso" de maior número de vendas de jornal, ganhando como prêmio um broche que Stalin ( o ex-ditador soviético que simpatizava com o Brasil) havia doado a Elza Monerat.
Fato curioso: Roque, ao receber o prêmio das mãos de Rogério Lustosa, abraça-o e bate vigorosamente em suas costas durante o abraço, o que leva Lustosa a fazer o seguinte comentário: "eu perdi um pulmão nas torturas da ditadura, e, o outro nesse abraço"... Pense num abraço violento!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Porque não voto em Dilma Rousseff!

Creio que o argumento que será - já está sendo - mais utilizado pela oposição "Tucana" contra a ministra Dilma Rousseff é sua militância no passado em agremiações políticas que defendiam a luta armada contra o regime militar.
Nunca simpatizei com tais grupos radicais e menos ainda com suas práticas (roubo, sequestro, atentados etc), mas tachá-los simplesmente de "terroristas" já é demais, até porque era difícil concorrer com os militares em matéria de terror.
Se Dilma era terrorista ou não como pensam desafetos e afetos, não tem a menor importância no momento de escolher um candidato, até porque as pessoas mudam, taí o Lula Lelé da Silva e o seu PT pra não me deixar mentir.
Lula quando sindicalista era favorável a greves, barricadas, erradicação dos privilégios burgueses e outras besteiras mais, mas, ao virar Presidente da República, aliou-se aos antigos "inimigos políticos burgueses", mergulhou fundo na maracutaia, locupletou-se das mamatas governamentais, encobriu golpes e desvios do dinheiro público, e, se houvesse um terceiro mandato já estaria eleito, pois caiu no gosto do povo graças a política assistencial que é sua marca registrada.
Ah! Ia esquecendo. Porque não voto em Dilma Rousseff? Por que ela me parece tão falsa quanto o seu partido, o PT da mentira, do mensalão, do caixa 2, do Lulinha, do Delúbio, do Dirceu, da Land Rover e do Marcus Valério.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Cansei das "Paixões de Cristo" !

Cansei das exibições de peças e filmes que pretendem representar a "Paixão de Cristo" durante a chamada "semana santa", e mais especificamente na sexta-feira. Como hoje é "sexta-feira-santa", sabe-se lá porque, vários canais de TV estão a exibir parte da história da vida de Jesus, com o grotesco título de "paixão de Cristo".
Como se não bastasse, várias cidades Brasil afora também contam com encenações nas praças, pátios de igrejas ou "montes santos". Em Pernambuco, a 50 anos existe uma que ficou famosa, em Fazenda Nova no maior teatro ao ar livre do mundo, a "Nova Jerusalém". E ficou tão famosa que passou a ter como parte do elenco, atores e atrizes das telenovelas no lugar dos artistas locais, principalmente nos papéis de destaque.
Porque cansei?
Em primeiro lugar pela falta de coerência entre a representação e o relato bíblico, que, a despeito de qualquer coisa, é a única fonte confiável sobre a vida de Jesus. Com todo respeito à criação (ou recriação/recreação) artística, peca-se (!?) por excesso: ou Jesus aparece com poucos filetes de sangue a correr da testa, mãos e pés, em nada lembrando uma sessão de torturas numa prisão romana, como na maioria absoluta dos filmes; ou, no único caso em que a tortura é mostrada, é ela mesma a personagem principal, esquece-se a mensagem e a história do Cristo, como na película perversa sadomasoquista de Mel Gibson.
Além disso, é triste ver o desrespeito à origem étnica de Jesus: um judeu pobre de um país pobre dominado pelo império romano. Basta de Jesus loiro de olhos azuis!
Em segundo lugar, é triste ver a pieguice do povo que acende velas, segue procissão e se emociona com o sofrimento do "Bom Jesus" na cruz do Calvário. Nas Filipinas grupos de pervertidos sadomasoquistas se autoflagelam e alguns até são crucificados em praça pública, para expressarem sua fé e solidariedade ao Cristo (é essa a desculpa que dão para dar vazão às suas perversões). Entretanto isso tudo acontece hoje, e só hoje na tal da sexta-feira-santa, já que durante todos os outros dias do ano a mensagem e os ensinamentos do mestre são não apenas esquecidos mas deliberadamente desrespeitados por quem se diz seguidor tanto aqui como lá.
E cá para nós, já é hora de parar com essa bobagem de pensar que qualquer manifestação da cultura popular é coisa que deve ser louvada e aplaudida. Existem muitas dessas manifestações que são de um gritante mau-gosto, e a encenação da tal da "Paixão de Cristo" está entre elas, até mesmo a de Fazenda Nova com seus "astros" e "estrelas" televisivos.
E antes que esqueça: na história de Jesus Cristo não houve "Paixão", sua motivação não foi passional, trata-se antes de Amor, o mesmo Amor que foi o cerne de sua mensagem.

terça-feira, 30 de março de 2010

Triangulo nada amoroso!

Nesta segunda-feira (29/03) o litoral sul das Alagoas foi palco de uma história que parecia ter saído de um escrito de Nelson Rodrigues: o sogro mata a golpes de faca sua nora com quem mantinha um caso "amoroso".
Isso mesmo, o agricultor Manoel dos Santos, de 51 anos, assassinou a esposa de seu filho, a jovem Inês da Silva de apenas 20 anos, após a mesma anunciar o fim do caso e seu desejo de viver honestamente ao lado de seu marido, o filho de Manoel.
Inconformado, Manoel mata a jovem Inês, deixando seu filho em estado de choque - segundo a polícia o jovem não conseguia nem falar. E, convenhamos, falar o que?
Perdeu o pai, que agora é apenas o amante e assassino de sua esposa.
Perdeu a esposa duas vezes em um único movimento, a primeira quando do adultério e a segunda quando morta pelo amante.
Esperamos que ele junte os destroços dessa tragédia e consiga se reerguer.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Pedofilia na Igreja Católica - 2 Arapiraca

Na quinta-feira (11/03/2010), foi apresentado no programa "Conexão repórter" do SBT, um vídeo que mostra o monsenhor Luiz Barbosa em cena de felação mútua com o então coroinha Fábio Ferreira, hoje com 20 anos.
Além do monsenhor Luiz, outros dois padres foram idenficados por testemunhas (vítimas) como tendo participado de abuso e/ou assédio a menores, são eles o monsenhor Raimundo Gomes e o padre Edilson Duarte, responsável pela igreja matriz da cidade.
Não esperamos que as denúncias culminem em algum tipo de punição para os envolvidos, até porque, a prática da igreja Católica nesses casos, é transferir o (s) agressor (es) de paróquia e botar panos quentes na história. Para os católicos - de cérebro limitado - a saída é acusar pastores dos mais diversos crimes (menos pedofilia, claro), como se isso fosse uma competição de quem tem mais pecados com outras religiões; ou dizer que em "todo canto tem gente assim", ou ainda, "toda família tem uma ovelha negra".
Pode até ser verdade que em toda família haja casos de homossexualismo, mas não de pedofilia; e padre pedófilo só na igreja Católica e contando com proteção oficial.
E as vítimas como ficam? Fábio, que pensava em ser padre, depois de anos de relacionamento sexual com Barbosa desistiu da idéia e só pensava em tirar a própria vida, como afirmou aos repórteres. O outro coroinha que fez a filmagem comprometedora, disse ter feito isso para se vingar da violência sofrida.
Os monsenhores Luiz Barbosa e Raimundo Gomes foram chantageados e pagaram R$ 32.000,00 pela gravação, porém não contavam com a existência de cópias que hoje são vendidas nas ruas de Arapiraca por R$ 2,00.
O arcebispo de Maceió, Valério Brêda, já sabia das gravações e só agiu após as mesmas vazarem na grande imprensa, e no dia 13 afastou os envolvidos de suas funções; fazendo aquilo mesmo que se esperava dele - esconder o fato o máximo possível e só agir quando não tiver mais jeito.
Isso parece não ter fim!

Para saber mais:
http://e-paulopes.blogspot.com/2010/03/video-mostra-sexo-do-monsenhor-barbosa.html
http://www.overbo.com.br/portal/2010/03/16/jovem-filmado-fazendo-sexo

segunda-feira, 8 de março de 2010

Big Brother Brasil: o que é isso?

Quando o programa foi lançado, movido por uma curiosidade natural, resolvi assistir pra ver se programa era aquilo tudo que foi anunciado, o que explicaria o seu sucesso em vários países. Aguentei dois episódios do BBB 1, que teve até análise "psicanalítica" da performance do ganhador, Kleber Bamban, que conversava com uma boneca feita de cacarecos.
Depois vieram os outros, e, já está no número 10.
O que explica o sucesso desse programa? Já foi dito que o reality show cativa as massas por mostrar o convívio de pessoas reais em confinamento, com as nuances e problemas típicos dos relacionamentos humanos.
Os convidados seriam escolhidos por seus vídeos enviados à produção do programa; as brigas, namoros e conflitos seriam reais, da gente comum e simples do Brasil.
Porém, depois do primeiro BBB já se soube que nada disso era verdadeiro. As escolhas eram feitas a dedo pela produção - quase sempre bonitões e gatinhas que até já faziam figuração nos programas da Rede Globo. Os namoros eram arranjados e os relacionamentos seguiam scripts dependentes do desejo da audiência - ou da produção.
Como não assisti mais nenhum episódio além dos dois já citados do número 1, conheci as participantes pela propaganda - posters e outdoors - quando de suas participações nas páginas da Playboy, que aliás, deve ter algum tipo de acordo com o programa; ou será por acaso que as participantes "mais gostosas" tem cadeira cativa na revista? Para as gostosonas parece que o prêmio é esse!
Outra questão: como pode o povo brasileiro acreditar que aquilo é um "show de realidade" apesar do depoimento de alguns participantes desmascarando o arranjo?
Mais outra: porque o apresentador chama os homens de "brothers" e as mulheres de "sisters", quando o nome do programa é inspirado no livro "1984" em que o Big Brother era o tirano que observava a vida de todos para melhor controlá-los, e não um participante, que, ao contrário, são os observados?
Voyerismo à parte, notamos nesse comportamento (assistir ao BBB) do público, uma completa falta de senso crítico, mais um comportamento imbecil, semelhante a vender voto, votar em corrupto (sem vender o voto), apoiar milícia e grupo de extermínio, jogar lixo na rua, beber e dirigir seu carro, transar sem preservativo, e, achar que está tudo bem, pois, não existe pecado do lado de baixo do Equador.
Só há uma conclusão possível: ou a maioria do povo brasileiro é realmente burra, ou é muito mais carente e insatisfeita do que podemos supor.
Eu aposto na burrice.